OBS: se você nunca leu alguma das aventuras de Sapatongue, clique aqui, para compreender a saga desta invejável heroína.
Sapatongue estava cansada de não fazer nada.
Essas férias superprolongadas com ausência de aventuras trouxe-lhe à tona uma palavra de arrepiar a periquita: atrofiação.
Pior do que a imagem de um sapo virando príncipe, era a sua língua de sapa ficando miúda.
Mas tudo era fruto da imaginação perturbada de uma lésbica sem rumo. E então já que ainda perambulava pelo velho continente, pegou uma daquelas passagens de EU2,99 e se mandou para Londres. Inglês é o básico e ia ser mole, mole e úmido aprender a língua.
Aterrizando na ilha gelada cheia de rainhas duvidosas, curry nas esquinas e bêbados se equilibrando, ela ficou encantada com tanta gente sortida: altas, ruivas, negras, gordinhas, peitudas, pequenas, modeletes, brecholentas, donas de casa. Era um mundo de possibilidades.
Nossa heroína usou de seu charme para descobrir onde era o lugar certo para se jogar de cabeça, literalmente. Não foi difícil, uma vez que resolveu juntar as duas únicas palavras em inglês que sabia: ‘pussy’ e ‘bar’. E foi perguntando para a mulherada na rua: “pussy? bar?. “pussy? bar?”. As 3 primeiras ouvintes saíram correndo, quase xingando. Mas a 4ª foi simpática, captou a mensagem e passou o endereço de um bar cheio de pussys.
E lá foi ela ao Candy Bar, no famoso bairro gay da metróple. Numa rápida metralhada, seu olhar captou, dentre tantas dykes indefinidas, uma moça, sozinha, bebendo, no balcão. Tava fácil. Se aproximou com um sorriso, e sentou seu olhar infalível ao lado da jovem. Pediu uma pint. Virou em menos de 30 segundos. Estava sedenta, nossa heroína. A garota achou bizarro. Depois engraçado. E por fim, bateu palmas. Sapatongue pegou em sua mão e a conduziu para o que chamam lá de ‘ladies room’. Na verdade, ela foi fazer a linha banheirão mesmo! Não ia agüentar pegar nenhum subway (por mais pontual que fosse), ônibus vermelho ou táxi preto para chegar em um lugar mais privado. Estava babando de vontade.
Jogou a menina contra a parede sem mesmo perguntar sua graça, e logo a despiu de roupas e pudores. Não gastou nem 1 minuto com beijos na boca e outras carícias – foi descendo, tateando linguamente até chegar no alvo certeiro. ‘Pronto, já era’, pensou, ‘vou sair daqui cantando a discografia completa dos Beatles depois dessa entrada triunfal’. Enquanto trabalhava seu órgão muscular, a presa, já quase incrustada na parede, ia cada vez mais gemendo e soltando palavras sacanas e desconexas, que por sinal, eram super compreensíveis à nossa heroína. Ela estava amando aquilo: conseguia entender o que a menina falava, e mal tinha começado seu prazeroso exercício. Então, se empolgou bestamente e não parou nem quando foram bater à porta do banheiro. Não parou, não parou, não parou até que… viu fog de arco-íris. A moça caiu desmantelada em seus braços ali, naquele chão sujinho. Sapatongue, mesmo com a língua frouxa, quis bater papo:
- Pussy… – era a única palavra que vinha à sua cabeça
A moça sorriu.
- What’s your name crazy girl?
Sapatongue fez cara de espanto.
- Oi? Num entendi…
- Não acreditooo! Você também é brasileira? Que ótimo!
- Como assim? Eu pensei que fosse gringa!
- Não, eu moro em Londres, mas sou brasileira.
- Putz… (pausa). Pelo menos você tá por dentro do novo acordo ortográfico da língua portuguesa?
- Novo… quê?
E lá se foi nossa heroína, meio cabisbaixa, sem aprender inglês, sem ao menos se atualizar no português, mas feliz de ter colocado seu precioso ‘bem’ em prática novamente.
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Sapatongue na Holanda
Sapatongue na França
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