Archive for the ‘ficção’ Category

sapacity eurotour!

30 junho, 2010

As férias de Julho estão chegando, e nada melhor do que sair, dar uma arejada, ver paisagens loiras, morenas, altas, baixas, sorridentes, blasées.
Portanto, a Sapacity Tours preparou vários pacotes pra vc, com foco no velho continente.
São locais ainda pouco explorados pela grande midia, mas que vale a pena visitar ou para quem já é familiar, reconhecer o terreno.
Escolha um e se jogue! Porque quem tem boca… (abaixo das fotos uma sugestão de abordagem, pra vc não fazer feio!)

TOPLESS EM BIARRITZ

Biarritz é chique, é glamour, é brioche com champagne, é França, tá meu bem?
Que tal fazer um topless na praia mais badalada do verão francês com Emmanuelle Béart?


“Não precisa tirar tudo não, ma cherie, só a parte de cimaaaa!”

 

CHÁ DA TARDE NO INTERIOR DA INGLATERRA

Não importa se você prefere café. Na ilha da rainha Elizabeth eles tomam chá.
Sua convidada, uma elegante senhoura – que ainda dá um bom caldo e que eu particularmente adoro com todo fish & ships do meu âmago: Krintin Scott Tomas.
Só pelo nome da lady, não me vai fazer feio e levantar o dedo mindinho ao pegar a xícara, tá?

‘Hi. Aceita uma bolacha para acompanhar o chá?’

 

PETISCAR EM TOSCANA

Nada melhor que tomar vinhos e vinhos e vinhos e vinhos na companhia de pessoas saudáveis pra te levar pra casa depois. No colo, de preferência.
O pacote inclui passeios nas colinas com Monica Bellucci.

‘Ciao bela, vai uma bruschetta aí?’

 

CONCERTO DE MUSICA CLÁSSICA EM BERLIN

Não há nada mais moderno que Berlin. Cidadezinha antenada essa. No entanto, se você quiser impressionar uma jovem formosa atriz alemã, leve-a a um concerto de musica clássica. A moça, Diane Kruger, até já tem o modelito para a ocasião.

‘Fraun, que tal um Chopin no seu pescoço?’

 

PASSEAR PELOS BECOS DE SEVILLA

Sevilla é uma cidade cheia de becos. E vc nunca sabe o que vai encontrar. Ou quem vai encontrar. Mas a Sapacity Tours vai preparar um encontro ocasional proposital com uma nativa. Que é pra você não se perder, e nem pagar o mico de pedir ajuda em portunhol. Deixe com a espanholita gostosita Paz Vega que ela te ensina o caminho, vale?

‘Ei guapa, toca uma castanhola pra mim, toca?’

 

GUIADA NO LESTE EUROPEU

Leste europeu é o que há nos dias de hoje. Todo mundo quer conhecer e explorar os mistérios daquele pedaço um tanto esquecido, mas não menos interessante da europa. Colocamos uma guia à altura, literalmente, que vai te levar a lugares inimagináveis da ucrania, tcheca-tcheca e outras regiões impronunciáveis, que só uma língua afiada e esperta poderia proporcionar tamanha experiência.

‘Mila, você pode me mostrar onde fica seu 5º elemento? Não tô achando no mapa.’

 

 UMA CHEGADA NO PORTO

 Imagine você sentada no porto da cidade do Porto tomando um vinho do Porto, selecionado e servido por uma portuguesa, com certeza? Maria João que é praticamente brasileira, mas legítima portuguesa. Ela te contará toda a história de como Portugal colonizou o Brasil e te encantar com aquele sotaquezinho em que as consoantes adoram comer as vogais. Cuidado com tanto charme – você corre o risco de ser colonizada também.

‘Me diga uma coisa: de dia é Maria e de noite é João?’

 

ESCOLHA O SEU PACOTE E BOA VIAGEM!

ocorrência

4 junho, 2010

– Alô? É da policia?
– Pois não, senhora.
– Queria registrar uma queixa.
– Pode prosseguir.
– Roubaram meu coração.
– Como? A senhora pode repetir?
– Meu coração foi roubado há pouco mais de um mês, mas só agora me dei conta.
– Isso é uma piada?
– Não, é a coisa mais séria que já aconteceu comigo.
– Desculpe senhora, eu tenho mais o que fazer.
– Não, por favor. Registre a queixa.
– Isso é um absurdo, eu não…
– Por favor. É grave. O nome dela é Juli.
– Nome dela?
– Sim. Ela. Foi uma mulher quem roubou. E não quer devolver. Agora ela fugiu, tem que mandar prender.
– Eu sinto muito, mas não posso te atender.
– Eu imploro. Faça a busca. Juli de Souza Castelo. Se você a encontrar, pode prender, mas sem machucar. Peça pra ela devolver meu coração. Que sem ele, não to vivendo não.

chris

18 maio, 2010

Sentaram na cara da Torloni.

Ela estava no banco de trás do carro e algum folgado fingiu que não viu e pumba!
Foi logo sentando.
Eu na hora não percebi. Não tenho nem a quem maldizer.
Sentar na cara da Torloni, cara?
Quanta sacanagem!
E agora?
Como vou olhar pra ela assim, toda desconfigurada? Coitada.
Minha musa, minha nossa!
Nossa não. Nem minha.
Imagina.

Mas se ela me pedisse eu sentaria.
Na cara, no colo, na mão.

O sinal abre.
Paro com a ficção.

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virge!

22 abril, 2010

Graças a Deus fui criada católica. Para não cometer o pecado da cobiça. Minha nossa, que mulher bonita. Essa da minha amiga. Próxima. Mas olha, mulher de amiga minha pra mim é homem. Não se come. Nem com os olhos. Ou com a mão. Não. No máximo no canto do olho uma espiadela. Só pra não dizerem que passou a mim imperceptível mulher tão bela.

caraleo

30 março, 2010

Cara eu quero ser sua amiga
Cara eu não quero beijo não
Cara vamos pra um boteco
Beber, falar palavrão.

Cara eu te dou carona
Mas vê se afasta essa sua mão
Cara vamos viajar
Rio de Janeiro, Curitiba, de avião

Cara eu vou te falar
Não cutuque o meu coração
Cara vou te confessar
Não sou de oferecer ilusão.

Minha cara
Eu peço perdão,
Mas eu não quero
o seu beijo não.

e aqui, tbém um outro texto sobre o mesmo assunto. antigos os dois. mas como tava a um tempinho sem postar nada, resolvi ressuscitar.

macumbeira

23 fevereiro, 2010

Coitada da galinha
que assim como eu
deixou de ciscar por ai.
A diferença é que eu vivi.
Agora, fiel ao seu lado.

a mulher pentelha

16 fevereiro, 2010

Esta é uma história de terror.
É a história da mulher pentelha, uma das lendas urbanas de Sapacity.

(Aconselho neste momento que as moças mais pudicas e frágeis se retirem da sala, ou melhor dizendo, fechem este browser. Essa história é para fêmeas de estômago e dentes fortes.)

Diferente do que podem imaginar de início, o nome da mulher não vem do fato dela ser uma pessoa ‘pentelha’, coloquialmente dizendo. E sim, por ser conhecida e reconhecida como arrancadora de pentelhos alheios.
Pois é minhas caras, assim como existem lendas de lobisomem, mula sem cabeça, saci e demais figuras regionais que nunca vimos mas sempre ouvimos, a história da mulher pentelha não poderia nascer em outro canto, que não na nossa cidade povoada por mulheres que vão com mulheres.
Nossa figura em questão é uma mulher comum, que senta num balcão de bar, pede algo de beber e algum petisco para acompanhar. É uma mulher comum, que paquera outras mulheres que entram no bar, joga um papo furado e algum charme antigo pra se aproximar. Dizem que é careca, usa peruca e nunca repete o figurino. E que paga bebida para seus alvos e a conta da mesa sempre em dinheiro. Quando a vitima está altamente alcoolizada, ela faz convites irresistíveis de fuga.
Normalmente vão para a casa da malfeitora. Lá, seus dentes afiados se põem a trabalhar, desnudando sem auxilio das mãos a parte intima da moçoila escolhida. Ao se deparar com qualquer tamanho, tipo ou forma de tufo, a canalha cai logo de boca fazendo as vezes de depiladora insana. Quanto mais alto o grito da vítima, e mais árdua a tarefa for, maior o prazer da mulher pentelha. No final do gozo, o que se vê é um sorriso escuro e incômodo.
Antes que a atacada retome consciência e qualquer pedaço de decência, ela é largada em algum banco de jardim florido, propriamente vestida, e com uma rosa repousando sobre o local recém-depilado.

Ninguém sabe quem é a tão misteriosa e maldosa mulher. Dizem apenas que é careca, usa peruca (supõe-se feitas com os pentelhos de suas presas) e nunca repete o figurino. Nem as vítimas.

Planejamento familiar

30 junho, 2009

Você estava programado pra nascer no dia 21 de Agosto, numa daquelas manhãs secas de pouco sol.
Em uma das portas da maternidade um enfeite bordado saído das mãos de sua avó materna indicaria o quarto aos visitantes: ‘Antonio’. A enfermeira te enrolaria numa manta azul e te entregaria para a mãe dar o peito, enquanto olhasse pra mim sorridente e confirmasse: ‘é um belo varão, papai!’
Aos 2 anos eu te levaria a um estádio para assistir um clássico do futebol. Você iria pular no meu colo quando fizesse gol e se esconder no meu ombro quando soltassem fogos.
Aos 5 eu te colocaria em classes de judô e brincaríamos de luta quando eu chegasse do trabalho.
Aos 10, conversaríamos sobre o primeiro beijo e alguns anos mais tarde sobre sexo. Com 16 você tomaria seu primeiro porre e enquanto ouvisse um discurso ditatorial de sua mãe, eu te daria um tapinha nas costas: ´pega mais leve da próxima vez, meu filho´.
Amanhã você faria 20 anos. Provavelmente estaria cursando faculdade, talvez longe de casa. Será que estaria namorando, amando? Seria loira ou morena? 

Amanhã você faria 20 anos.
Se tivesse nascido no dia 21 de Agosto.
Se tivesse nascido, Antonio.
Mas um erro médico fez com que a sua vida não acontecesse.
Um erro médico deu espaço à vinda da Rafa, que nasceu prematuramente em Julho.

E nada do que eu tinha planejado com você foi alterado.

Hoje, a minha menina já com 20 anos está no 3º ano de faculdade, namorando e amando.
Só ainda não sei se é uma loira ou uma morena.

Dia das Namoradas em Sapacity

10 junho, 2009

Com a proximidade da data festiva-comercial- e romântica por que não? – do dia das namoradas, Sapacity promove o festival imaginário de casais além mar! Mulheres que gostaríamos de ver juntas nas mídias de fofoca, na boca do povo ou dependendo do caso, em nossas camas. 

Abaixo, compartilho algumas das sugeridas:

Christiane Torloni & Jodie Foster

jodie e cris

Claro! As minhas musas da infância, adolescência, juventude, fase adulta, balzaca e futuramente idosa não poderiam deixar de ter um romance fictício nesta vida. Imaginem só! Não existem nem palavras nos dois vocabulários linguísticos aos quais elas pertencem para descrever tamanha emoção diante desta possibilidade.

Winona Rider & Adriana Calcanhotto

winona-e-adriana

A atriz é (declaradamente) doida.
A cantora é (aparentemente) doce.
Então imagine se um dia a clepto da Winona roubar o coração da Calcanhotto?
No mínimo, estaria por vir uma bela canção.

 Katherine Moennig & Ana Paula Arósio

ana-paula-e-kate

Elas são modernas, jovens, bonitas e atrizes. Elas se entendem.
Se tiver casamento, Ellen DeGeneres será o padrinho.
Se tiverem um filho, certamente nascerá com os dentes brancos e perfeitos.

Susan Boyle & Marlene Matos

marlene-e-susan

Daí que a Susan tá precisando de uma empresária, né minha gente? Então não consegui mais perfeita combinação de unir o ‘útil ao agradável’. Se bem que a parte do ‘agradável’ eu tenho minhas dúvidas…
Susan, a gente quer que você seja beijada um dia, mas a gente entende se neste caso não rolar, tá?

Amy & Angela Ro Ro

angela--e-amy

Todo mundo merece ser feliz na vida, é ou não é?

Angelita é a pessoa certa que pode fazer Amy entender que o que pulsa no seu sangue quente não precisa ser necessariamente heroína.
Que a heroína pode vir sim, mas em forma de mulé, uma mulé grande e sabida que cante entre os dentes da frente ao pé do seu ouvido: Amo a vida a cada segundo, Pois para viver eu transformei meu mundo, Abro feliz o peito, é meu direito!”. Abra o peitinho Amy e se joga!!! (mas vai por cima tá? que por baixo pode machucar!)

Então tá! Se alguém tiver sugestão de casais de namoradas imaginárias ‘além mar’ que fale agora ou então só no próximo dia das namoradas!

ACIBSÈL

7 novembro, 2008

ok! chega de bagaceira aqui neste blog!

aí vai um textinho para reflexão… rsrs

MEU CLOSE(T)

Não gosto do som das unhas batendo o teclado

O salto alto apertando os calos.

Da maquiagem alterando a imagem.

 

Não gosto da chapa esquentando a nuca

Do meu peso levando a culpa

O dourado anelando o dedo.

Anulando.

 

Não gosto da barba

Arranhando meus sonhos

Um falo ditando ordens

Que não sinto.

 

Eu não gosto

de me ver

invertida

no espelho.

2° Encontro

12 maio, 2008

Sentadas no café. Olho no olho. 2º encontro.

Ela solta:

– “O que você acha mais bonito no meu rosto?”

‘Que perguntinha’, penso eu, já deixando nascer a idéia de último encontro.
Rapidamente divido o rosto dela em 4 partes simétricas, como uma fotógrafa alucinada, e dou close em cada uma.

– “ééé… no seu rosto?” – tento ganhar tempo.

Juro. Não encontrei nada fisicamente especial. Lábios pequenos, quase inexistentes. Nariz imperfeito. Olhos miúdos, sem cílios notáveis. Não dá pra falar “testa”, dá? Nem orelha. “Ai, adoro o seu par de orelhas…” Não, não dá.

– “Tá bom, vai. Não precisa falar” – começa o constrangimento.
– “Não, peraí. Já sei!”

Silêncio. Suspense. Recapitulo as imagens. Nada. Solto um sorriso besta. Ela faz uma careta, que não ajuda em nada na minha escolha.
De repente, uma luz:

– “Os dentes. Seus dentes são perfeitos. Depois me passa o telefone do seu dentista?”

Pior impossível. Mas não tinha como.

– “Meus dentes? Nossa, nunca me falaram deles.”
– “Não? Pois devia mostrá-los mais.”

Péssimo, péssimo, eu sei. Depois disso, nenhum assunto mais animaria qualquer tentativa de prolongar aquela noite.
Pedimos a conta.

No carro, um longo silêncio. Ela interrompe:

– “Você não vai me perguntar o que eu acho mais bonito em você?”
– “Não, não faço questão em saber”
– “Jura? Porque não?”
– “Porque prefiro que você me veja inteira, e não em pedaços…”
– “Que chata! Por isso mesmo vou falar!”
– …
– “A boca. Acho linda sua boca.”

Mal sabia ela, que essa boca, não sentia mais vontade em beijá-la. Perdeu a graça, pelo menos naquela noite.
Também, quem mandou me fazer olhar os detalhes assim forçadamente, antes mesmo de conhecer o todo?
Ela me levou até em casa; não demos beijo de boa noite. Falei que estava com princípio de herpes. Ela broxou, claro. E me deixou sair sem explicações.
Acho que decifrou o recado. Também porque não liguei.

Ela também não ligou.

Mas me mandou um torpedo com o telefone do dentista.

8… pq 8?

29 abril, 2008

Minha colega de blog, a Renata do Oráculo de Lesbos, me desafiou a postar 8 desejos que faria antes de morrer. Como a minha lista pessoal e mais íntima de mim mesma contabiliza mais de 800 desejos que pretendo realizar (hehe), vou passar essa bola pra prefeita de Sapacity, Dona Sonia Dedón:

1. Trazer as meninas do The L Word para gravar a 7ª e imaginária temporada em Sapacity. A cidade não possui hotel, mas nossas habitantes são de uma hospitalidade invejável. Elas fariam tudo para agradar o elenco. A Rachel Shelley (Helena), por exemplo, que estaria presente no seriado por favor, ficaria em minha própria casa, onde possuo uma jacuzzi de 1 metro de diâmetro que caberia nós duas confortavelmente + 2 taças de champagne.

2. Fazer uma sessão de cinema na praça de Sapacity (aquela que nas outras cidades do interior fica em frente à Igreja, mas quem na nossa , fica em frente aos botecos). Os filmes exibidos poderiam bem ser estes aqui.

3. Tornar a cidade um exemplo em plantação de árvores e arbustos. Não me pergunte pq isso seria um dos últimos desejos, mas é digno, vai? E tbém está dentro das minhas metas de governo. 

4. Realizar em Sapacity o Festival M&M (Mulherada & Música). Um fim de semana prolongado com shows das mais variadas vertentes, não saindo, óbvio, do pop e do rock. Regina Spektor, Tegan & Sara, Peaches, K.d.Lang, Melissa, Lilly Allen, Yelle, Adriana Calcanhotto, Vanessa Krongold seriam algumas das convidadas (e é óbvio que elas iriam aceitar, né?). A prefeitura ia deixar de tapar os buracos das ruas de Sapacity, mas não deixaria faltar toalha branca pras divas no camarim.

5. Contruir em Sapacity banheiros público e lindos pelas calçadas. Não queremos mais nenhuma cidadã pagando bundalelê enquanto vai descarregar na rua a cerveja entornada. Queremos papel para todas. Queremos um banheiro todo fofo grafitado pelas artistas mais descoladas da capital, com cheirinho de lavanda pop.

6.  Que Sapacity cedie os lesbogames em 2009!

7. Concretizar o antigo projeto da prefeitura: “Caravana da Xana”, onde as cidadãs de Sapacity partiriam em seus caminhões, pickups, jipes, e esportivos – claro, escoltadas por harleys de todos os lados – rumo aos pontos de maior concentração da população feminina brasileira e sulamericana.

8. Ver em todas as livrarias de Sapacity, o livro escrito pela humilde escritora Claudia Guay.

hehehe! qta besteira em um só post, hein?

 

Nossas gatas

19 março, 2008

Elza hoje é só minha. Costumava ser minha e da Lu, aquela vaca.
Mas hoje é só minha.

Elza veio pra casa com 15 dias, praticamente uma recém-nascida, desgarrada da mãe por motivos de força lésbica maior. E agora, com 1 ano e meio, ainda é um bêbe que eu vou cuidar para sempre, sozinha, sem dividir com nenhuma mulher louca que venha aparecer pelos cantos do meu quarto, sala e cozinha.

A história da Elza começou com a avó dela, a Sal, que era da Martinha e da Gabs. Era, porque a coitadinha morreu, e também porque o casal já se separou: a Martinha foi morar bem longe numa cidade de nome impronunciável da Áustria, e a Gabs está casadíssima com a Jana, na mesma casa de vila que morava a Sal outrora.

A Sal foi um daqueles achados inesperáveis no meio da rua. Estava ela lá tadinha, estropiada, recém-atropelada decerto por algum homem ou loira desorientada. Foi encontrada – e salva! – pelo casal de dykes, que fazia um cooper nada habitual, num dia raríssimo cheio de ânimo para esportes. Levaram a gata (ainda sem nome) para a veterinária mais fofa do bairro. Deram vacinas, remédios, ajeitaram os ossinhos. Deram ração, mimos e um nome à  bichana: SALVA. E ela sobreviveu.

Passou 1 ano e Salva já tinha forças para pular o muro, e mais ainda para agüentar os machos na sua lombar. Dois meses depois nascia a Bege, destinada à Andressa, solteirona convicta – até conhecer a Lu. A Andressa foi a 1ª namorada da Gabs, já tinha ficado também com a Jana, ficou uma vez comigo numa daquelas noites de amnésia, e estava à toa na vida quando em 5 dias conheceu, flertou, jantou, comeu, dormiu, comeu, deitou e casou com a Lu, aquela vaca. (E a Bege sempre ali do lado, acompanhando toda a movimentação da dona.)

Foram morar numa kit. E por um bom período foram felizes, as três (Andressa, Lu e Bege).
Depois entraram numa fase de conflitos, discussões, ciúmes, perseguições e nesse meio tempo não-se-sabe-como-nem-de-quem-até-hoje, a Bege engravidou.
E nesse meio tempo, eu conheci a Lu, aquela vaca. E batata, nos apaixonamos.

Elza nasceu poucos minutos depois que Andressa se dirigiu à Lu, já na porta da kit: “volto daqui 2 semanas para pegar a Bege. É tempo suficiente pra você arrumar suas coisas”.

Dali 15 dias eu ganhava Elza, e a “mãe de criação” junto, aquela vaca.
Mas o paraíso teve seus dias contados. Em 14 meses perdi a Lu para uma outra cheia de “filhos” persas e angorás. Cheia de pelos devia ser a infeliz.

Bem, pouco importa. Já tenho Elza ao meu lado, não preciso de ninguém, nem de outra vaca.

Depois de amanhã chega a Martinha, da Áustria. Vem passar uns dias aqui no Brasil, vai ficar em casa, quer conhecer a neta da Sal. A Cris Maia, uma amiga em comum, disse que a Martinha está ótima, super diferente de quando saiu daqui, cheia de olheiras.
Disse que está gata.
E eu bem espero que ela esteja no cio.

em tempo: irmã Dulce & Rosalina

6 março, 2008

mumias.jpg

 em tempo: irmã Dulce & Rosalina

– o que vc tá fazendo, Rosalina?
– Inspeção, irmã Dulce.
– Inspeção? Mas eu não fiz nada de errado. Só desci neste cantinho pra tirar uma soneca após o almoço!
– Irmã Dulce, será que vc pode levantar isso aqui um pouco?
Isso… assim!
– Tá bom assim?
– Tá!
– Mas vem cá, quem te ensinou a inspecionar deste jeito?
– A Madre Superiora.
– A Madre? E ela te designou para inspecionar as irmãs também?
– Não, ela não sabe que estou aqui. Agora fica quietinha que preciso de concentração.
– Uma última pergunta, Rosalina?
– hum
– Que horas acaba a inspeção?
– Na hora em que você encontrar a luz.
– Ah… Então continua tentando porque tá meio escuro aqui ainda.
– Pois não, irmã Dulce.

O encontro de irmã Dulce com a luz foi muito forte, intenso.
O mosteiro todo estremeceu, o terço se desfez, e o seu corpo enrigeceu.
Rosalina foi junto. Era muito amor.

A Madre Superiora, coberta de uma inveja mais negra que seu hábito, ao ver a cena, estarreceu.
Então jogou cal, terra, argila – não necessariamente nesta ordem.
Jogou dizeres ofensivos também.

Enterrou ali seus prazeres mais doces, seus segredos mais puros.
E rezou, pra sempre.