Archive for the ‘mini-conto’ Category

virge!

22 abril, 2010

Graças a Deus fui criada católica. Para não cometer o pecado da cobiça. Minha nossa, que mulher bonita. Essa da minha amiga. Próxima. Mas olha, mulher de amiga minha pra mim é homem. Não se come. Nem com os olhos. Ou com a mão. Não. No máximo no canto do olho uma espiadela. Só pra não dizerem que passou a mim imperceptível mulher tão bela.

macumbeira

23 fevereiro, 2010

Coitada da galinha
que assim como eu
deixou de ciscar por ai.
A diferença é que eu vivi.
Agora, fiel ao seu lado.

rapidinhas

19 agosto, 2009

to meio sem tempo – há um tempo – de escrever textos maiores.
então seguem uns minicontos temáticos:

BODAS DE PRATA
uma fumou um maço de skank.
a outra bebeu a adega da casa.
Foi uma uivante noite de sexo, depois de quase 1 ano.

Pena que elas não se lembram.

 

CIÚMES
– Hoje o Bob não vai participar.
– Por que, amor?
– Sinto que ele está penetrando mais em nossas vidas do que deveria.

 

FORMADORA DE OPINIÃO
Não tenho o menor interesse em saber o que dizem as más línguas.
Tenho vontade de sugá-las.
Até que digam o contrário.

Planejamento familiar

30 junho, 2009

Você estava programado pra nascer no dia 21 de Agosto, numa daquelas manhãs secas de pouco sol.
Em uma das portas da maternidade um enfeite bordado saído das mãos de sua avó materna indicaria o quarto aos visitantes: ‘Antonio’. A enfermeira te enrolaria numa manta azul e te entregaria para a mãe dar o peito, enquanto olhasse pra mim sorridente e confirmasse: ‘é um belo varão, papai!’
Aos 2 anos eu te levaria a um estádio para assistir um clássico do futebol. Você iria pular no meu colo quando fizesse gol e se esconder no meu ombro quando soltassem fogos.
Aos 5 eu te colocaria em classes de judô e brincaríamos de luta quando eu chegasse do trabalho.
Aos 10, conversaríamos sobre o primeiro beijo e alguns anos mais tarde sobre sexo. Com 16 você tomaria seu primeiro porre e enquanto ouvisse um discurso ditatorial de sua mãe, eu te daria um tapinha nas costas: ´pega mais leve da próxima vez, meu filho´.
Amanhã você faria 20 anos. Provavelmente estaria cursando faculdade, talvez longe de casa. Será que estaria namorando, amando? Seria loira ou morena? 

Amanhã você faria 20 anos.
Se tivesse nascido no dia 21 de Agosto.
Se tivesse nascido, Antonio.
Mas um erro médico fez com que a sua vida não acontecesse.
Um erro médico deu espaço à vinda da Rafa, que nasceu prematuramente em Julho.

E nada do que eu tinha planejado com você foi alterado.

Hoje, a minha menina já com 20 anos está no 3º ano de faculdade, namorando e amando.
Só ainda não sei se é uma loira ou uma morena.

ACIBSÈL

7 novembro, 2008

ok! chega de bagaceira aqui neste blog!

aí vai um textinho para reflexão… rsrs

MEU CLOSE(T)

Não gosto do som das unhas batendo o teclado

O salto alto apertando os calos.

Da maquiagem alterando a imagem.

 

Não gosto da chapa esquentando a nuca

Do meu peso levando a culpa

O dourado anelando o dedo.

Anulando.

 

Não gosto da barba

Arranhando meus sonhos

Um falo ditando ordens

Que não sinto.

 

Eu não gosto

de me ver

invertida

no espelho.

me dá uma mãozinha

17 agosto, 2008

nota: esse miniconto foi escrito há um tempão de anos e estava guardado em uma daquelas pastas esquecidas de computador . é bem besta (pq a gente sempre tende a achar que os escritos do passado são bestas), mas como não tenho nada em mente para publicar… compartilho:

ME DÁ UMA MÃOZINHA?

 – Oi!
– E aí, tudo bem?
– Tudo. Você disse que precisava de ajuda; eu vim o mais rápido que pude.
– Poxa, obrigada! É, na verdade, preciso sim, mas não era nada tão urgente…
– Bom, agora eu já tô aqui. Pode falar.
– Então, eu fiz uma promessa…
– Jura? Pra quê?
– Se eu falar antes de acontecer pode não dar certo.
– Tá… e qual o sacrifício da promessa?
– E eu tenho que ficar 3 meses sem me masturbar.
– Caramba! 3 meses? Enlouqueceu? E o que vc vai fazer até lá?
– Então… é aí que vc entra.
– Ah…
– Entendeu?
– Acho que sim. Mas você não estaria trapaceando a própria promessa?
– Não. Só não vale eu comigo mesma.
– Bom, eu já tô aqui mesmo, né? Então tá.
 

*******************

– E aí, foi melhor do que você com você mesma?
– Nóóó…
– Que bom! E vc não vai me contar mesmo qual foi a promessa?
– Bom, acho que agora eu já posso.

ex-periências

25 julho, 2008

.

COM Beatriz aprendi a gostar de festas. COM Raquel, de conhaque.

COM Carla conheci o Brasil. COM Isabel, o Kamasutra.

COM Helena aprendi a ler Proust. COM Bruna, manuais de instruções.

COM Julia conheci pessoas. COM Flavia, paisagens.

 

Gi, quero te ensinar tudo o que sei.

bemeubem

16 julho, 2008

.

Você é bem louca

E bem linda

E bem lúdica

E ainda bem, minha.

 

Quer casar comigo?

23 maio, 2008

 

Perdi 2 banhos pensando.
No 3º, os xampus já haviam duplicado.

 

Sem (cinco) sentidos

26 março, 2008

da série “sem (cinco) sentidos”: 

Audição
– Agora, me ouça.
– Só se VOCÊ me ouvir agora!
– Ta bom. Estou te ouvindo.
– Continue assim.

Olfato
– hum…
– Adoro esse cheiro!
– Qual?
– Esse! – aponta com o nariz
– Ah, ta brincando?
– Não. É sério! É muito bom!
– Pára vai. É de plástico, não tem graça.
– Você diz isso pq nunca provou.

Tato

No 2º encontro:

– Me coma logo, vagabunda!
– Nossa… mas que falta de tato!
– Ah, é? Então senta aqui.

sem (cinco) sentidos

5 março, 2008

da série “sem (cinco) sentidos”:

 

PALADAR

 

Falo alto pra ela ouvir.

Ela não fala nada.

 

Abaixo a voz pra não assustar.

Boca alheia nem mexe.

 

Mudo o tom pra ela entender.

Ela, muda.

 

Mas como beija bem, a vaca.

 

sem (cinco) sentidos

26 fevereiro, 2008

da série “sem (cinco) sentidos”

VISÃO:

te olho, sem querer.
te quero, sem olhar.
me queira, de ohos fechados.

daniela

29 janeiro, 2008

Guardava de cabeça os meninos com quem tinha ficado na adolescência.
Adorava contar e falar em voz alta seus nomes no chuveiro.
Gustavo, Rogério, Bruno, Fernando…

Chegou uma idade que já não cabia mais nos dedos do corpo a quantidade de moços beijados. Mas sempre lembrava do nome de cada um,  e fazia questão de não anotar em lista, nem de espalhar por aí.

Era seu segredo prazeroso, compartilhado apenas com os azulejos amarelos do box.

Até que um dia a memória apagou. Quando uma menina – a primeira – a beijou.